quarta-feira, 12 de julho de 2017

Entrevista: Luís Felipe/Deadtrack (MG)

Apesar de não tão próxima na Geografia, você acha que a clássica cena metal de Belo Horizonte ainda reverbera sobre o que é produzido atualmente em termos de Hardcore/Punk/Metal em Minas? Aliás, seria legal falar um pouco sobre a cena (bandas, shows, locais) de Uberlândia atualmente.

Com certeza, no meu ponto de vista, BH sempre foi referência na música torta. O que foi feito nos anos 80 e 90, de fato marcou muito o subterrâneo e ecoa como referência estética e musical até hoje. Na capital sempre rolou muito evento do Punk ao Metal, e isso perpetua em Minas, com vários eventos que acontecem no cenário e mantém aquela característica "crua". Em Uberlândia vejo que é meio indefinida a cena, já que ela não se mistura muito, é sempre um pessoal que produz para determinado nicho, seja de metal e seus subgêneros e do outro lado punk/derivados. Existe gente que nunca parou e está a mais de 15 anos produzindo eventos independentes de metal extremo nas periferias, coletivos que apareceram e desaparecem, mas movimentam também. Os lugares estão cada vez mais difíceis de fazer eventos, a maioria das casas não abre espaço de forma alguma. Então, para conseguir fazer um, dá bastante trabalho. E isso influência demais, quando uma casa abre espaço, acontecem vários e depois por algum motivo o lugar resolve parar de fazer ou simplesmente fecha, e assim os shows dão uma caída.

Embora relativamente novo, você, seja com o Deadtrack ou com outras bandas, já circulou consideravelmente pelo eixo MG/SP, inclusive nos interiores. Com essa vivência, acha que dá pra fazer um comparativo entre os contextos interior/capital nos dois estados?

Cara, as vezes que rodamos, deu para fazer um comparativo. A minha impressão é que nas capitais os eventos estão sempre acontecendo com maior frequência, o que ajuda a movimentar mais e deixar sempre quente, mas por ter sempre, acaba sendo algo meio da rotina da cidade e às vezes mais de um evento no mesmo dia. Já no interior, vejo que rola com menos frequência, mas sempre muito intenso e caloroso.



No começo o Deadtrack era só você, e depois agregou outras pessoas pra gravar. Por que? O que você anda ouvindo e quais as principais referências (musicais ou não) pra composição da banda?

Então, em 2014 no começo pensava o Deadtrack como algo onde eu colocava umas ideias, mas sem muito compromisso com tocar ao vivo. Na época saiu uma tape pelo MetalpunkOverkill e Ultraviolence Records, e as apresentações que rolaram foram com o Pedro e o Hector do Martyrizer(BH), isso final de 2014/início de 2015. Depois disso foi meio natural a ‘’transformação’’ haha. Já faz vários anos, que nós desta formação atual, estamos fazendo som juntos em outras bandas e em 2015 tocamos juntos como Deadtrack pelo interior de SP e em Uberlândia. Assim, achei massa se fizessem parte como uma banda completa mesmo. Além do mais, nossa amizade permite compartilhar muita coisa. De som ouvindo basicamente o de sempre, do hardcore arrumadinho ao metal mais tosco haha, hora mais apegado com uma coisa, hora com outra. Dois nomes que ando ouvindo muito: LITOVSK, post-punk da frança e APHORISM de Salvador. Na composição da banda a gente tem tentado sempre colocar o que mais escutamos, sem necessariamente nos prender a algo. Vamos viajando entre o punk, industrial, o crust o metal… O Herison e o João estão sempre aparecendo com ideias novas e preocupados com a sonoridade. Na temática procuramos abordar temas cotidianos, conflitos pessoas e sociais, tentar não cair no óbvio, mas também de uma maneira que transmita o que estamos pensando.

Essa semana acontecerão três shows do Deadtrack, ao lado do Frieza e O Cúmplice. Quais as expectativas e quais os próximos passos da banda num futuro não tão distante?


As expectativas são as melhores possíveis, dar esse giro pelo cerrado com mais duas bandas e pessoas excelentes, conhecer e rever pessoas de Goiânia e Brasília, curtir o som, trocar ideias… Tudo isso que mantém vivo e faz valer a pena! Em relação ao Deadtrack, terminamos de gravar novas músicas e pretendemos lançar em breve um EP com os 3 sons acompanhados de um clipe que está sendo produzido por uns parceiros daqui de Uberlãndia. Estávamos com um baixista, o Túlio, na formação passada, da época do NIHIL que saiu no primeiro semestre de 2015 e também na formação que gravou o EP, mas ele saiu e agora o André Luiz (Murça) que é do Desventura (junto com o João) está assumindo o baixão e assim vamos seguindo com essa formação nova, continuar trabalhando em mais sons para gravar ainda este ano e tocar, tocar e tocar!

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